Desabafo de portuguesa a viver na Suécia revoltada como Portugal está a viver a pandemia


Conta como se está a viver a pandemia por lá, e as principais diferenças para o “modelo português”, que trará sérias consequências a médio e longo prazo.

Uma portuguesa que se encontra a viver na Suécia escreveu um desabafo nas redes sociais, onde conta como se está a viver a pandemia por lá, e as principais diferenças para o “modelo português”, que trará sérias consequências a médio e longo prazo (algumas já visíveis), e que por conseguinte, irá ser causa de morte indirecta para muitas pessoas.

Na Suécia não houve “lockdown”, porque na constituição sueca tal decisão cabe às entidades de saúde e não à política. As diferenças são muitas, ora veja:

“Olá! Daqui uma portuguesa a viver na Suécia…
E um alívio perceber que afinal também há portugueses que não aceitam o que aconteceu e que, não podendo agora refazer 2020, se preocupam que isto NÃO ACONTEÇA DE NOVO.

Desde o início que me mostrei estupefacta com as decisões tomadas em Portugal e pela Europa fora. Isolamento? Como? Como é que de repente, de um dia para o outro, alguém nos manda para casa, alguém legisla quando, como, para o quê, com quem podemos sair? Desde quando a polícia tem o direito de ir atrás da minha mãe de carro com um megafone a mandá-la para casa quando ela só ia ao supermercado, fazendo-a claro mudar o caminho e voltar para casa a chorar aterrorizada de medo?

Revolta é o que sinto. E não compreendia, os dias passavam e eu não compreendia como é que os meus familiares estavam aí, confinados, restringidos de liberdade de circulação, e aqui eu continuava a viver a minha vida normal.

Sim, a Suécia apresenta mortes por milhão bem mais altas do que os vizinhos nórdicos. É inegável, e é trágico e triste todos os que perderam a vida. Qualquer vida que se perde é triste, todas estas pessoas eram filhas, pais, tios, amigos de alguém. Mas isto é a natureza do planeta onde vivemos, onde vivemos em simbiose com milhares de bactérias e vírus.

Eu aceito o sofrimento provocado por um vírus, mas não aceito o sofrimento provocado por governantes deste mundo fora que acharam boa ideia fechar o mundo para deter o que não pode ser detido e para tentar curar um problema (que não curaram, porque a natureza manda mais que nós) criaram outros cinquenta enviando para o desemprego milhares de pessoas, provocaram a miséria, a falência, o desespero de quem ao dia de hoje nem sabe como por pão na mesa dos filhos. O vírus não vai parar. O vírus não vai desaparecer. E quanto mais acharem que esconder as pessoas em casa é a solução, mais tempo isto vai demorar a passar.

É preciso aceitar que o vírus agora existe e temos de viver com ele. E é preciso por a mão na consciência… isolamento? A sério, pensem bem sobre isto. Alguma vez no passaria pela cabeça que confinar pessoas em casa era solução? A China começou com esta medida (uma ditadura assumida e onde todos os princípios básicos de vida não me parecem minimamente aceitáveis para a vida que conhecemos ao dia de hoje) e por alguma razão achámos ser boa ideia fazer igual. Mas se país após país não tivesse aderido ao isolamento, alguma vez isto tinha sido sequer hipótese?

Por outro lado… a impressão que tenho é que todos se esqueceram que o isolamento foi ordenado para evitar o colapso do SNS. Isto não chegou a acontecer na Suécia. Este rol de notícias a criticarem o país onde vivo esquece esse ponto importante… esquece de dizer que foi construído um hospital militar com capacidade de mais 500 camas que nem sequer chegou a ser inaugurado. Esquece de dizer que os serviços de saúde chegaram a estar com apenas 20% da capacidade mas aguentaram. Esquece porque admitir que afinal podia-se ter tentado conduzir as coisas sem isolar toda a gente é impensável.

Thank you Sweden for my freedom é tudo o que posso dizer ao dia de hoje, além de me sentir muito grata por poder ter vivido esta pandemia num país onde me deixaram escolher se queria continuar a viver normal ou isolar-me. Onde a minha filha de 3 anos pode continuar a ir a parques infantis e a frequentar a creche como sempre o fez, sem ser recebida por educadoras em fatos espaciais. Onde ninguém me obriga a usar máscara mas não se olha de lado quem escolhe fazê-lo. Onde me respeitaram como pessoa capaz de tomar as minhas decisões mediante a informação que tinha, e nunca me ameaçaram a minha liberdade de circulação.

A vida está acima de tudo mas a vida é muito mais do que estar vivo. A vida é essencialmente as condições que nos dão para viver. E isto não é o vale tudo.

Quanto ao meu país, para onde planeava voltar este ano, sinto o de sempre… não nos quer. O meu país usou agora os recursos que tinha e que não tinha para “combater” o que nos quiseram fazer crer ser a peste negra… e por esta exibição pagaremos todos nós nos próximos anos quando nunca ninguém nos perguntou se éramos a favor deste absurdo a que nos obrigaram.

Como li num artigo escrito por um médico, Portugal é hoje um estado amedrontado e sobretudo preocupado com a sua própria popularidade…

Sinto-me sem esperanças neste mundo onde foi tão fácil terem feito isto. E com medo que o possam fazer outra vez.”

Relacionados:

11 Comments

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

  1. Portuguesa?na Suécia?…fica por aí muitos anos e segue a norma deles : fim de semana sempre na bebedeira OK! assim , o virus morrerá afogado: Deixem-se de tangas!

  2. 22 Maio, 2020 às 22:14 O seu comentário aguarda moderação. Esta é uma pré-visualização, o seu comentário será visível depois de ter sido aprovado.
    Portuguesa?na Suécia?…fica por aí muitos anos e segue a norma deles : fim de semana sempre na bebedeira OK! assim , o virus morrerá afogado: Deixem-se de tangas!

    RESPONDER

  3. Não concordo consigo. O Portugal respondeu quase exemplar perante esta situação única, com muita responsabilidade e profissionalismo. As vidas humanas não têm preço e sempre a principal prioridade foi esta. A humanidade neste momento precisa de tempo para lidar com este vírus e aprender novos hábitos que nos nunca tivemos. Em Portugal nunca houve uma privar de liberdade real em todo este tempo. Nós estamos felizes que não tivemos nada a ver com que se passou com os países vizinhos. Se quiser fazer publicidade com este assunto e chamar atenção Força.

  4. O seu conceito de importância de vida é deveras contraditório. Admita que Portugal geriu bem, até ao momento, está pandemia. Por mais que me esforce não consigo entender como pode privilegiar um modelo que conduziu ao maior número de mortes per capita. O que vier a seguir logo se vê. Não tente antecipar uma coisa que desconhece em absoluto. Fique pela Suécia e tente ser feliz.

  5. Só espero que quando esta senhora ficar infectada e tiver que ir às urgências alguém a ponha no fim da fila e, quando houver vacina, ela se ofereça para ser a última pessoa a tomá-la

  6. A ignorância é muito atrevida e atrevesse a falar daquilo que não conhece e nem sabe está num País que se comportou muito mal dando importância ao dinheiro e sem dar nenhuma importância à saúde da população. Pelo que penso os Governantes desse País deviam ser levados ao TRIBUNAL INTERNACIONAL, pela desfaçatez com que tratam os seus cidadãos e os deixam morrer sem os tratarem…

  7. Está tudo muito certo e muito bonito… Mas eu gostava de saber se ela sentiria a mesma coisa se a mãe dela vivesse na Suécia e em vez de voltar para casa a chorar, mas continuasse viva, morresse considerada “dano colateral” desta pandemia. Muito fácil falar, quando ela e toda a família na Suécia não pertencem à população de risco.

  8. Mas por cá haviam muitos “inteligentes” que achavam que o modelo da Suécia é que era bom, não havendo confinamento, estava a ter bastante sucesso, dado que não prejudicou a economia e o numero de infectados era diminuto. Afinal os dados que hoje conhecemos desmentiram completamente essa tese, o numero de mortos na Suécia é muito elevado e a economia caiu redondamente. Quem acredita em idiotas, está sujeito a sofrer muitas desilusões, foi o caso dos Suecos que já ultrapassou Portugal em números de mortes e contagiados..

  9. A senhora tem toda a razão em estar contente com o país em que se encontra, e os suecos podem estar orgulhosos por terem governantes que dão primazia à Liberdade individual dos seus cidadãos, ao invés de cederem ao populismo e ao medo.

    Quem diria que o “método chinês” fosse ser tão aclamado em pleno século XXI? Sinais dos tempos.

  10. Para além de outras considerações julgadas óbvias , e que outros já fizeram, que sabe da China, sua história, conquistas, a senhora? Nada.

Send this to a friend